Tristeza e mal-estar emocional na adolescência

Adolescente encostada a uma vedação, num momento de recolhimento ao fim do dia representando tristeza e mal-estar emocional na adolescência

A adolescência é uma fase de mudança intensa. O humor pode oscilar, a sensibilidade aumenta e nem sempre é fácil perceber o que faz parte desta etapa e o que já traduz um sofrimento que merece mais atenção. Há momentos em que a tristeza, o retraimento, a irritabilidade ou certas mudanças no corpo e no comportamento deixam de parecer apenas passageiras e começam a mostrar que o adolescente não está bem.

Nem todos os adolescentes conseguem falar com clareza sobre aquilo que sentem. Alguns fecham-se, afastam-se, tornam-se mais duros consigo próprios ou perdem interesse pelo que antes lhes fazia bem. Outros mostram esse sofrimento de forma menos evidente: através da relação com o corpo, com a comida, de uma instabilidade emocional difícil de conter ou de um silêncio que vai ocupando cada vez mais espaço. Mais do que procurar explicações rápidas, importa tentar compreender o que este adolescente está a viver por dentro.

Aquilo que por vezes é visto apenas como drama, exagero ou feitio pode ser, na verdade, dor emocional sem palavras.

Como estas dificuldades se podem manifestar

O mal-estar emocional na adolescência nem sempre aparece da forma que os pais imaginam. Nem sempre surge em conversas abertas, em pedidos de ajuda ou em sinais fáceis de reconhecer. Em alguns jovens, manifesta-se através de tristeza persistente, maior fragilidade, irritabilidade constante, sensação de vazio, cansaço emocional ou perda de prazer nas rotinas habituais. Noutros, torna-se mais silencioso: mais tempo fechados no quarto, menos vontade de estar com os outros, mais vergonha, mais autocrítica ou uma sensação de desconexão em relação a si próprios.

Há também adolescentes que vivem tudo com uma intensidade difícil de regular. Pequenas frustrações parecem enormes, o sofrimento cresce depressa e aquilo que sentem torna-se difícil de organizar. Nesses casos, o que aparece por fora pode ser explosão, fecho, dureza ou aparente indiferença. Mas nem sempre isso significa falta de cuidado, manipulação ou desinteresse. Muitas vezes, é a forma possível de lidar com emoções que ainda não conseguem compreender nem expressar com clareza.

Há adolescentes que não conseguem dizer “não estou bem”. Mas mostram-no na forma como se afastam, se exigem demais, se apagam ou se magoam em silêncio.

Sinais que merecem atenção

É importante olhar com cuidado quando estas mudanças se tornam persistentes, mais intensas ou começam a interferir com a vida do adolescente. A tristeza frequente, a irritabilidade marcada, o isolamento, a perda de interesse, as alterações no sono ou no apetite, a vergonha intensa, a autocrítica constante ou um discurso muito negativo sobre si próprio são sinais que não devem ser desvalorizados.

A relação com o corpo e com a alimentação também pode tornar-se um lugar de sofrimento. Em alguns casos, surge um desconforto crescente com a imagem, maior vigilância sobre o peso, culpa ao comer, restrição alimentar, hábitos mais secretos ou uma preocupação que parece ocupar demasiado espaço. Por trás disto, nem sempre está apenas vaidade, influência externa ou vontade de controlar a aparência. Muitas vezes, está uma tentativa de recuperar controlo, aliviar angústia, calar a crítica interna ou lidar com uma sensação persistente de não ser suficiente.

Noutros casos, podem surgir comportamentos de autolesão. Estes sinais devem sempre ser levados a sério, sem dramatização, mas também sem banalização. Nem sempre significam desejo de morrer, mas traduzem sofrimento e dificuldade em lidar com aquilo que está a ser vivido internamente. O mais importante não é reagir com choque ou julgamento, mas perceber que alguma coisa já está a doer mais do que o adolescente está a conseguir suportar sozinho.

Nem todo o adolescente que sofre pede ajuda. Muitos limitam-se a tentar aguentar sozinhos durante demasiado tempo.

O que pode estar por trás deste sofrimento

Estas dificuldades raramente têm uma única causa. Podem estar ligadas à pressão escolar, ao medo de falhar, a experiências de exclusão, a conflitos nas relações com os pares, a mudanças familiares, a separações, a perdas ou a um processo de crescimento vivido com muita solidão interna. Também podem surgir em adolescentes que parecem estar a funcionar “normalmente” por fora, mas que vivem por dentro com um peso grande, uma exigência constante ou uma sensação difícil de nomear.

Artigos que podem ajudar

Um artigo sobre sinais mais discretos de insegurança, desvalorização e sofrimento interior.

Um conteúdo útil para compreender melhor a relação difícil com o corpo e com a imagem.

Quando a tristeza na adolescência deixa de parecer apenas uma fase e começa a merecer mais atenção.

Sobre o peso da comparação e o impacto que pode ter na forma como o adolescente se vê.

Sobre pertença, exclusão e o impacto emocional de sentir que não se encaixa.

Quando procurar ajuda psicológica

Pode fazer sentido procurar ajuda quando o adolescente parece cada vez mais em baixo, mais desligado, mais reativo ou mais perdido em si próprio; quando existem mudanças persistentes no humor, na energia, no apetite ou nas relações; quando o sofrimento se prolonga no tempo; ou quando a família sente que deixou de conseguir perceber verdadeiramente o que se está a passar.

A ajuda psicológica não serve apenas para situações extremas. Também pode ser importante quando os sinais ainda são confusos, mas já fazem sentir que algo mudou e que o adolescente não está bem. Em muitos casos, a intervenção permite compreender melhor o que está a acontecer, criar um espaço seguro para o jovem e ajudá-lo a encontrar formas mais saudáveis de lidar com aquilo que sente.

Pedir ajuda não é exagerar o que o adolescente sente. Muitas vezes, é precisamente a forma mais cuidadosa de o levar a sério.

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