Parentalidade e relação com os filhos

Adulto a abraçar uma criança ao ar livre, num momento de proximidade e vínculo - parentalidade e relação com os filhos

A relação com um filho constrói-se em muitos pequenos momentos: na forma como se acolhe, se orienta, se escuta e se vai estando presente ao longo do crescimento. Mesmo quando há amor, dedicação e vontade de fazer o melhor, a parentalidade e relação com os filhos pode trazer dúvidas, cansaço e fases em que a relação se torna mais exigente.

Há momentos em que os pais sentem que perderam alguma clareza. Os conflitos tornam-se mais frequentes, surgem dúvidas sobre como agir, instalaram-se a culpa, a exaustão ou a sensação de que tudo exige demasiado. Nestes momentos, pode ser importante parar, compreender melhor o que está a acontecer e encontrar um caminho mais seguro na relação com o filho.

Quando a relação começa a ficar mais difícil

Nem sempre é fácil perceber quando uma fase mais exigente faz parte do crescimento e quando já existe um desgaste maior na relação. Por vezes, o dia a dia começa a ser vivido com mais irritação, mais impaciência, mais dúvida ou mais sensação de falhanço.

Muitos pais identificam-se com pensamentos como: “estou sempre a ralhar”, “não sei se estou a fazer bem”, “ou cedo em tudo ou acabo por reagir mal”, “parece que nada resulta”. Estas dificuldades nem sempre significam que existe um problema grave, mas quando se tornam repetidas e começam a pesar na relação e no ambiente familiar, merece a pena olhar para elas com mais atenção.

Colocar limites não significa dar menos amor

Dar amor e ser firme não são coisas opostas. Colocar regras, dizer não, sustentar uma decisão ou ajudar uma criança a lidar com a frustração faz parte do cuidado e da relação.

Também nem sempre a procura de atenção significa exagero ou “mimo a mais”. Muitas vezes, uma criança ou um adolescente chama mais a atenção precisamente quando se sente mais inseguro, mais desorganizado emocionalmente ou com mais dificuldade em expressar aquilo de que precisa.

Por isso, pode ser importante aprender a distinguir diferentes necessidades: quando é preciso conter, quando é preciso aproximar, quando é preciso manter uma regra e quando é preciso escutar o que está por trás daquele comportamento.

O que pode estar por trás destas dificuldades

As dificuldades na relação com os filhos raramente têm uma única explicação. Podem estar ligadas à fase do desenvolvimento, ao temperamento da criança ou do adolescente, a dificuldades emocionais, a mudanças familiares, ao stress acumulado no dia a dia ou ao próprio cansaço dos pais. Muitas vezes, aquilo que se vive na relação resulta do encontro entre vários destes fatores, e não apenas de uma causa isolada.

Em algumas fases do crescimento, estas dificuldades podem tornar-se mais visíveis ou mais intensas. Na adolescência, por exemplo, a necessidade de autonomia, o confronto, a maior sensibilidade emocional e as mudanças na comunicação podem trazer mais tensão à relação. Isso não significa falta de vínculo nem perda de importância dos pais; significa, muitas vezes, que a relação está a mudar e que a forma de estar nela também precisa de se ajustar.

Ao mesmo tempo, a forma como os pais respondem a essas dificuldades também é influenciada pela sua própria história. A maneira como cada pai ou mãe foi cuidado, escutado, corrigido e amado ao longo da infância e do crescimento pode deixar marcas na forma como hoje lida com frustração, conflito, proximidade, autoridade ou afeto. Sem dar conta, é comum que surjam reações muito ligadas àquilo que se viveu: por vezes repetem-se modelos conhecidos; noutras tenta-se fazer tudo de forma diferente, sem que isso traga necessariamente mais segurança.

Em que situações o apoio psicológico pode ajudar

O apoio psicológico pode fazer sentido quando existem conflitos frequentes entre pais e filhos, dificuldade em colocar limites de forma consistente, culpa e dúvidas constantes na parentalidade, cansaço emocional, sensação de que o dia a dia é vivido em tensão ou dificuldade em compreender o comportamento do filho.

Pode também ser útil quando a relação com um filho adolescente se tornou mais difícil, quando há maior distância ou confronto, ou quando separações, mudanças familiares e outras transições estão a afetar o equilíbrio da relação.

Quando estas dificuldades se ligam mais ao sofrimento emocional ou ao comportamento da criança ou do adolescente, pode ser importante articulá-las com a área clínica mais adequada. Quando o foco está sobretudo nas dúvidas dos pais, na forma de responder ou na qualidade da relação, o acompanhamento parental pode ser particularmente útil.

Um espaço para compreender, ajustar e cuidar da relação

O objetivo não passa por julgar os pais nem por oferecer respostas rápidas e iguais para todos os casos. Passa por compreender o que está a acontecer naquela relação, perceber melhor aquilo que o filho pode estar a comunicar através do comportamento e ajudar a construir respostas mais seguras, mais firmes e mais cuidadoras.

Em alguns casos, o foco está mais na criança ou no adolescente. Noutros, está sobretudo no cansaço, na culpa, na insegurança ou nas dificuldades dos pais em encontrar uma forma de estar mais consistente. Em qualquer destas situações, o mais importante é ajudar a tornar a relação mais compreensível, mais regulada e mais protegida.

Artigos que podem ajudar

Sinais que podem ajudar a perceber quando certas mudanças no comportamento ou nas emoções merecem mais atenção.

Um olhar mais aprofundado sobre comportamentos que podem esconder ansiedade e sofrimento emocional.

Apoio para compreender melhor mudanças na adolescência e perceber quando pode fazer sentido procurar apoio.

Quando pode fazer sentido procurar ajuda

Nem todas as dificuldades na parentalidade significam que algo está mal. Mas quando os conflitos se repetem, quando a relação começa a ser vivida com sofrimento ou quando os pais sentem que perderam segurança na forma de lidar com o filho, procurar apoio pode ser um passo importante.

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