Divórcio e conflito parental: impacto emocional em crianças e adolescentes

Criança entre os pais em contexto associado ao divórcio e conflito parental

Quando falamos de divórcio e conflito parental, falamos não apenas da reorganização da família, mas também da segurança emocional das crianças e dos adolescentes. Há crianças que parecem adaptar-se depressa, mas começam a mostrar mudanças no sono, no humor, na escola ou na relação com os pais.

Há adolescentes que ficam mais irritáveis, mais fechados ou mais distantes, sem que isso seja logo reconhecido como um sinal de mal-estar. Nem sempre aquilo que estão a sentir aparece em forma de queixa direta. Às vezes surge no corpo, no comportamento, no silêncio, na forma como evitam falar ou na maneira como tentam não trazer mais preocupações aos adultos.

Quando o divórcio e conflito parental se tornam emocionalmente difíceis

A separação dos pais pode tornar-se mais difícil quando a criança deixa de sentir previsibilidade, quando as rotinas mudam de forma brusca, quando a relação com um ou com ambos os pais se torna mais instável, ou quando o ambiente entre os adultos continua marcado por tensão, hostilidade ou ressentimento.

Nalguns casos, os filhos sentem medo de perder um dos pais, medo de serem deixados, culpa pelo que aconteceu, ou uma necessidade constante de perceber como devem estar e com quem devem alinhar. Noutros, o que aparece é confusão: duas casas, regras diferentes, versões diferentes da mesma história e a sensação de que é preciso estar sempre atento ao ambiente à volta.

É importante dizê-lo com clareza: o problema nem sempre é o divórcio. Muitas vezes, o que mais fragiliza os filhos é o conflito parental.

Há separações em que, apesar da dor e da mudança, os filhos conseguem reorganizar-se porque os adultos mantêm alguma estabilidade, cooperam no essencial e protegem-nos da tensão conjugal. E há outras situações em que o divórcio e conflito parental continuam a entrar no dia a dia da criança ou do adolescente: discussões frequentes, críticas ao outro progenitor, tensão nas trocas entre casas, pedidos para levar recados, perguntas sobre a vida do outro pai ou da outra mãe, ou uma pressão mais ou menos subtil para tomar partido.

Quando isto acontece, os filhos podem começar a sentir que têm de escolher lados, esconder o que sentem ou gerir emoções que não deviam ser responsabilidade deles.

Sinais de mal-estar nas crianças

Nas crianças, o impacto do divórcio e conflito parental pode surgir de formas muito diferentes. Algumas ficam mais agarradas aos pais, mais inseguras nas separações, mais sensíveis às mudanças de rotina ou mais dependentes emocionalmente. Outras passam a dormir pior, a resistir mais à escola, a chorar com mais facilidade, a ter birras mais intensas, a queixar-se de dores sem explicação médica evidente ou a mostrar regressões que surpreendem os pais. Muitas vezes, a criança não diz diretamente o que sente, mas mostra-o no corpo, no comportamento e na relação.

Também é frequente que as crianças tentem proteger os pais sem que ninguém se aperceba. Há filhos que escondem o que sentem para não dar mais trabalho, que evitam falar do que acontece na outra casa, que dizem a cada progenitor aquilo que acham que esse adulto precisa de ouvir, ou que ficam muito atentos ao humor e às reações dos pais. Por fora, podem parecer adaptados. Por dentro, podem estar a fazer um esforço enorme para lidar com a tensão à sua volta.

Por isso, mais do que perguntar se a criança “aceitou bem” a separação, importa perceber como está a viver as mudanças, o que compreendeu, o que receia e até que ponto continua a sentir-se segura no seu lugar de filha.

Sinais de mal-estar na adolescência

Na adolescência, o impacto do divórcio e conflito parental pode ser menos óbvio, mas nem por isso menos importante. A separação dos pais pode tocar em temas muito sensíveis nesta fase: confiança, pertença, justiça, autonomia, lealdade e relação com as figuras parentais. Alguns adolescentes reagem com zanga, dureza ou afastamento. Outros fecham-se, falam menos, mostram desinteresse, parecem mais frios ou tornam-se muito críticos em relação a um ou a ambos os pais. Há também adolescentes que assumem um papel excessivamente adulto, tentando proteger um dos progenitores, conter o ambiente familiar ou não aumentar ainda mais a tensão.

Nesta fase, o mal-estar pode surgir através de maior irritabilidade, quebra no rendimento escolar, afastamento emocional, conflitos mais intensos em casa, isolamento, dificuldade em confiar ou resistência às mudanças entre casas. Por vezes, aquilo que parece apenas oposição, frieza ou desinteresse é uma forma de lidar com emoções que o adolescente não consegue organizar bem. E porque já parece mais autónomo, é fácil esquecer que continua a precisar de proteção, clareza e adultos que consigam não o colocar no meio do conflito.

Coparentalidade, guarda partilhada e divórcio e conflito parental

A forma como os pais gerem a separação influencia diretamente a adaptação emocional dos filhos. A questão central não é apenas o modelo de guarda, mas a qualidade da coparentalidade no dia a dia: a capacidade de manter alguma previsibilidade, de comunicar sobre o que é essencial, de não expor os filhos às tensões do casal e de não os usar como ponte, mensageiros ou apoio emocional. Uma criança não deve ficar encarregada de levar recados, perceber de que lado está a razão ou sentir que precisa de proteger um dos pais do outro.

A guarda partilhada pode funcionar bem em muitas situações, mas isso depende muito da forma como é vivida. Mais do que a fórmula em abstrato, importa perceber se existem rotinas minimamente estáveis, comunicação suficiente entre os adultos, respeito pelo ritmo da criança, coerência no essencial e capacidade de separar os temas do casal dos temas parentais. Quando os pais conseguem fazê-lo, os filhos tendem a sentir-se mais seguros. Quando não conseguem, mesmo uma separação já antiga pode continuar a pesar de forma significativa no dia a dia emocional da criança ou do adolescente.

Sinais a que vale a pena prestar atenção no divórcio e conflito parental

Há sinais que merecem atenção, não porque indiquem automaticamente um problema grave, mas porque podem mostrar que a criança ou o adolescente está a ter mais dificuldade em adaptar-se.

Mudanças persistentes no humor ou no comportamento, medos intensos, alterações no sono, dificuldades na escola, maior irritabilidade, regressões, queixas físicas frequentes, resistência marcada nas transições entre casas ou recusa em estar com um dos pais são alguns exemplos. Também vale a pena olhar com atenção para aquelas situações em que o filho parece estar bem demais e demasiado adaptado, porque por vezes isso significa apenas que aprendeu a não ocupar espaço emocional num ambiente já muito carregado.

Nem toda a tristeza, zanga ou recusa depois da separação significa que algo está a correr mal. Há reações que fazem parte de um processo de adaptação. Mas quando o mal-estar se prolonga, se intensifica, interfere com a escola, com o sono, com a relação com os pais ou com a capacidade de a criança viver com alguma tranquilidade o seu dia a dia, pode ser importante olhar para isso com mais cuidado.

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Compreenda que sinais podem mostrar que a separação está a ser vivida com maior dificuldade por uma criança ou adolescente.

Perceba o que pode estar por trás da resistência em mudar de casa e quando essa dificuldade merece um olhar mais atento.

Como o acompanhamento psicológico pode ajudar no divórcio e conflito parental

O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender melhor aquilo que a criança ou o adolescente está a viver, a criar espaço para nomear emoções difíceis, a organizar experiências confusas e a reduzir o peso interno de situações que se têm vindo a acumular.

Pode também ajudar os pais a perceber melhor o impacto que determinadas dinâmicas estão a ter, a ajustar a forma como comunicam com os filhos e a tornar a coparentalidade mais protetora. O acompanhamento é centrado na criança ou no adolescente e, quando faz sentido, inclui trabalho com os pais naquilo que diz respeito à parentalidade, à coparentalidade e à proteção emocional dos filhos.

Pedir ajuda não significa que os pais falharam. Muitas vezes, significa precisamente o contrário: que estão a tentar proteger os filhos antes que o desgaste se torne mais profundo. Nem todas as situações de divórcio e conflito parental exigem acompanhamento psicológico, mas quando a criança ou o adolescente começa a mostrar sinais persistentes de maior fragilidade, quando o conflito entre os adultos continua muito presente ou quando os pais sentem que já não sabem bem como ajudar, procurar apoio pode ser um passo importante.

Nem todas as crianças conseguem dizer claramente que estão em sofrimento. Às vezes, precisam que os adultos consigam ver isso por elas.

Se sente que esta fase está a ser difícil para o seu filho, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender melhor o que se está a passar e a encontrar formas mais seguras de o apoiar.

Consultas de Psicologia Clinica para Crianças e Adolescentes
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