Comparação e autoestima na adolescência: quando começa a afetar o bem-estar

Avatar de Inês Andrade Sousa
comparação na adolescência e forma como o jovem se vê a si próprio

A comparação faz parte da adolescência. É através dos outros que o adolescente se vai conhecendo, percebendo onde se situa, o que valoriza e como se posiciona. A comparação na adolescência não é, por si só, um problema.

No entanto, quando passa a ser constante e a influenciar a forma como o adolescente se vê a si próprio, pode começar a afetar a autoestima e o seu bem-estar.

Nem sempre isto é evidente. Muitas vezes, manifesta-se de forma subtil — numa insatisfação persistente, numa sensação de não ser suficiente ou numa dificuldade em sentir-se bem consigo próprio.

Quando a comparação deixa de ser saudável

Ao longo da adolescência, é natural existir comparação com os pares — na aparência, nas relações, no desempenho ou na forma de estar.

O que faz a diferença não é a comparação em si, mas o peso que ela ganha.

Quando o adolescente se compara de forma pontual, isso pode ajudá-lo a orientar-se e a crescer.
Mas quando essa comparação se torna frequente e tende sempre a colocá-lo numa posição de desvantagem, a forma como se vê começa a ser afetada.

Nestes casos, a autoestima na adolescência passa a depender mais do exterior — do que os outros são, fazem ou parecem — do que de uma base interna mais estável.

A comparação não é o problema. Torna-se um problema quando passa a definir o valor que o adolescente atribui a si próprio.

A sensação de não ser suficiente

Uma das consequências mais comuns da comparação constante é a sensação de não ser suficiente.

O adolescente pode sentir que está sempre aquém — menos interessante, menos capaz, menos valorizado. Mesmo quando não há uma avaliação negativa explícita, a perceção interna pode ser de insuficiência.

Esta sensação não surge necessariamente de forma consciente. Muitas vezes, está presente de forma difusa, influenciando a forma como o adolescente se posiciona, se expõe ou evita determinadas situações.

Ao longo do tempo, pode contribuir para uma visão mais crítica e exigente de si próprio.

O papel da validação externa

Quando a comparação ganha demasiado espaço, a validação externa tende a tornar-se mais importante.

A forma como o adolescente se sente consigo próprio passa a depender, em grande parte, da resposta dos outros — da atenção, do reconhecimento ou da aceitação.

Isto pode levar a uma maior necessidade de aprovação e a uma adaptação da forma de estar, por vezes afastada daquilo que é mais autêntico.

Quando o valor pessoal fica dependente deste olhar externo, torna-se mais difícil construir uma autoestima mais segura e consistente.

Onde esta comparação acontece

A comparação pode surgir em diferentes áreas da vida do adolescente.

Atualmente, muitos destes processos acontecem também em contextos digitais. No entanto, mais do que o meio em si, é a forma como o adolescente interpreta e integra estas experiências que faz a diferença.

Quando a comparação é frequente e emocionalmente carregada, pode contribuir para sentimentos de insegurança e insatisfação persistente.

Como pode afetar o dia a dia

Quando a comparação constante se instala, pode influenciar várias áreas da vida do adolescente.

Pode tornar mais difícil sentir-se confortável em grupo, expor-se ou experimentar coisas novas. Pode aumentar a sensibilidade à opinião dos outros e levar a uma maior preocupação com a forma como é percebido.

Em alguns casos, pode também contribuir para evitamento, retraimento ou maior ansiedade, que pode explorar melhor na página sobre ansiedade em crianças e adolescentes.

A ligação com a autoestima na adolescência

A comparação constante e a autoestima estão profundamente ligadas.

Quando o adolescente se compara de forma frequente e negativa, a forma como se vê tende a tornar-se mais crítica e menos segura.

O papel dos pais

Para os pais, nem sempre é fácil perceber quando a comparação está a ter este impacto.

O adolescente pode não falar sobre isso diretamente, ou pode expressar-se através de comportamentos mais indiretos, como desmotivação, irritabilidade ou retraimento.

A forma como os pais escutam e respondem pode fazer diferença. Evitar comparações, validar a experiência do adolescente e promover uma visão mais equilibrada de si próprio pode ajudar a reduzir o impacto destas vivências.

Em alguns casos, o acompanhamento parental e familiar pode ser um apoio importante neste processo.

Quando pode ser importante procurar apoio

Quando a comparação começa a afetar o bem-estar, a forma como o adolescente se vê ou a forma como se relaciona com os outros, pode ser importante olhar para estas dificuldades com mais atenção.

O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender estes processos, a reduzir o peso da comparação e a desenvolver uma relação mais segura consigo próprio.

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