O meu filho não quer estudar: preguiça, desmotivação ou dificuldade?

Avatar de Inês Andrade Sousa
Adolescente que não quer estudar, apoiado sobre a mesa com material escolar

Quando um filho não quer estudar, é natural que os pais fiquem preocupados, irritados ou até sem saber como agir. Em algumas situações, parece que evita tudo o que tenha a ver com escola. Noutras, adia, protesta, distrai-se ou diz simplesmente que não quer.

Nem sempre é fácil perceber o que está por trás deste comportamento. Às vezes, os pais sentem que o filho está sem vontade ou sem hábitos de estudo. Noutras, começam a perceber que há mais qualquer coisa: frustração, cansaço, desmotivação escolar, ansiedade ou dificuldade em acompanhar o que lhe é pedido.

Mais do que assumir logo que é preguiça, costuma ser importante tentar perceber o significado deste afastamento em relação ao estudo.

Quando um filho não quer estudar, nem sempre é preguiça

Nem sempre a recusa em estudar significa falta de esforço ou falta de responsabilidade. Muitas vezes, aquilo que aparece como resistência é a forma que a criança ou adolescente encontrou para mostrar que estudar se tornou difícil, pesado ou emocionalmente desgastante.

Em alguns casos, existe frustração acumulada. A criança tenta, sente que não consegue, começa a errar com frequência e vai perdendo confiança. Noutros, há tanto desgaste à volta da escola que o estudo passa a ser vivido como mais uma fonte de tensão.

Na adolescência, isto pode surgir de forma ainda mais silenciosa. Em vez de oposição direta, pode haver adiamento constante, falta de iniciativa, desligamento progressivo da escola ou a sensação de que nada daquilo faz sentido.

Como perceber melhor quando o seu filho não quer estudar

Quando uma criança ou jovem não quer estudar, isso pode aparecer de formas diferentes. Por exemplo:

  • adia constantemente o momento de começar;
  • diz que está cansado ou que faz depois;
  • evita sentar-se para estudar;
  • protesta sempre que se fala de escola;
  • distrai-se mal começa;
  • fica irritado, frustrado ou bloqueado;
  • desiste com facilidade;
  • mostra pouco interesse pelo que aprende;
  • parece cada vez mais desligado da escola.

Nas crianças, isto pode notar-se mais através de resistência aos trabalhos de casa, necessidade constante de ajuda ou maior frustração quando erram. Nos adolescentes, pode surgir como procrastinação, desmotivação escolar, quebra no rendimento ou afastamento em relação ao estudo.

O que pode estar por trás quando o seu filho não quer estudar

Em alguns casos, a principal dificuldade está na motivação. A criança ou adolescente sente pouco interesse pela escola, não encontra sentido no que está a fazer e começa a desligar-se. Noutras situações, o problema está mais na frustração: estudar exige tanto esforço, ou traz tantas experiências de falhanço, que evitar se torna uma forma de escapar ao desconforto.

Noutros casos, o estudo é evitado porque existem dificuldades mais concretas de atenção, concentração, organização ou aprendizagem. Quando ler, escrever, compreender ou memorizar é mais difícil do que parece, estudar pode tornar-se uma tarefa pesada e desgastante.

Na adolescência, também pode surgir uma sensação de saturação em relação à escola ou dúvidas em relação ao futuro, à área a seguir ou ao valor do esforço que está a ser pedido. Quando isso acontece, a desmotivação nem sempre é apenas falta de vontade. Às vezes, é sinal de cansaço, insegurança ou falta de sentido.

Quando vale a pena olhar melhor se o seu filho não quer estudar

Pode fazer sentido prestar mais atenção quando a criança ou adolescente:

  • evita estudar de forma persistente;
  • adia sempre o momento de começar;
  • mostra grande frustração ou irritação em relação à escola;
  • parece cada vez mais desligado do estudo;
  • entra em conflito frequente em casa por causa da escola;
  • apresenta quebra no rendimento;
  • começa a dizer que não consegue, que não vale a pena ou que nunca vai conseguir;
  • mostra sinais de ansiedade, bloqueio ou sofrimento quando tem de estudar.

Nem sempre é necessário esperar que a situação se agrave muito. Muitas vezes, perceber cedo o que está a acontecer ajuda a evitar maior desgaste, conflito e perda de confiança.

O que os pais podem fazer quando o filho não quer estudar

Quando um filho não quer estudar, é natural surgir a tentação de insistir mais, controlar mais ou aumentar a pressão. No entanto, quando o estudo já está associado a frustração, medo ou desgaste, isso pode acabar por tornar tudo ainda mais difícil.

Nestas situações, costuma ser mais útil tentar perceber o que está a bloquear. Há crianças e adolescentes que evitam estudar porque se sentem incapazes. Outros evitam porque estão cansados, desmotivados ou ansiosos. E há também quem já esteja tão habituado a falhar ou a ser criticado que prefira nem tentar.

Mais do que repetir que “tem de estudar”, pode fazer diferença observar melhor como reage perante certas tarefas, que tipo de ajuda pede, em que momentos bloqueia mais e como vive a escola no dia a dia. Em muitos casos, ajustar expectativas, reduzir a tensão à volta do estudo e tentar compreender antes de corrigir ajuda a quebrar o ciclo de conflito.

Quando procurar ajuda psicológica

Procurar ajuda psicológica pode fazer sentido quando a recusa em estudar:

  • se mantém ao longo do tempo;
  • está a afetar a aprendizagem;
  • causa sofrimento ou conflito familiar;
  • vem acompanhada de ansiedade, bloqueio ou grande desmotivação;
  • faz os pais sentir que já não sabem como ajudar;
  • levanta dúvidas sobre dificuldades escolares, emocionais ou de desenvolvimento.

Não querer estudar pode ser um sinal de dificuldade, não apenas falta de vontade

Quando um filho não quer estudar, isso não nos diz tudo sobre o problema. Em alguns casos, pode existir falta de hábito ou menor sentido de responsabilidade. Mas, muitas vezes, há algo mais a ser compreendido.

Pode haver desmotivação escolar, frustração, ansiedade, dificuldade de concentração, dificuldades de aprendizagem ou simplesmente um desgaste acumulado na relação com a escola.

Mais importante do que rotular é tentar perceber o que está a acontecer e como ajudar de forma ajustada, respeitosa e eficaz.

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